Ela me curte. Digo, ela me “curtiu”, então imagino que me curta também. Estávamos em várias das mesmas redes sociais, mas nossos círculos não chegavam a se cruzar. Foi então que a vi em uma foto com o irmão do amigo de um amigo. Ela foi marcada na foto, e eu imediatamente fiquei com vontade de conhecê-la. Embora eu a tivesse visto on-line, nunca tínhamos nos encontrado. Quando eu enviei a ela uma mensagem perguntando se ela queria se encontrar para um café na vida real, foi como um encontro às escuras. O encontro foi legal. Ela riu das minhas brincadeiras e entendeu a maioria das minhas referências. Ela não deu notícias por alguns dias até ontem à noite, quando recebi uma notificação no smartphone. Ela me curtiu.
Jacques estava me esperando em uma estação de metrô no centro de Paris. Ele estava com a mesma velha jaqueta, com o mesmo decalque de uma banda cujo nome eu não conseguia pronunciar. Eu não o via há dez anos e há onze não vinha à Paris. “Oi”, disse ele passando a mão pela barba com ar de cansado. “Você está bem longe de casa”. “Minha casa fica bem longe de Paris”, respondi. “Mas você não precisou nem pegar um ônibus”. Ele ficou me olhando por um longo tempo, me estudando. Ele precisava confirmar se ainda me reconhecia depois de dez longos anos. “Mon ami”, confirmou ele, e me abraçou como o velho amigo que ainda sou.